sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O ABRAÇO DA SERPENTE

A violenta e psicodélica colonização da Amazônia em “O Abraço da Serpente”

Uma viagem antropológica, etnográfica, histórica através de um relato dinamizado. Se for pra resumir o filme O Abraço da Serpente, seria basicamente desta forma. O filme foi inspirado nos diários deixados pelo etnologista Theodor Koch-Grunberg e pelo biólogo Richard Evans Schultes, que dedicaram muitos anos de suas vidas ao estudo da região amazônica.
O filme acompanha a história da dominação e dizimação dos povos indígenas, e foi dirigido pelo colombiano Ciro Guerra. Focando no que foi deixado pelos dois cientistas, Ciro ficcionalizou uma história de uma comunidade indígena.
“O Abraço da Serpente”: psicodélico, violento, real
Theodor Koch-Grunberg chegou a Amazônia no começo do século 20 e ele veio com a intenção de realizar diversos estudos envolvendo os povos indígenas.  Dezenas de anos depois, Richard Evan Schultes, um biólogo norte-americano, adentrou a selva para estudar plantas usadas pelos mesmos povos.
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O cineasta consegue transpor para as telas a eterna briga causada por uma suposta etnia superior e pela falta de um fator simples: respeito. Ele mostra como o choque entre culturas foi suficiente para deturpar costumes.
O filme está em constante movimento por conta do local em que ele acontece e lida com questões muito atuais que aconteciam em um ambiente relativamente diferente do nosso, como opressão colonial, religião e a loucura. O Abraço da Serpente ganhou o grande prêmio da Quinzena dos Diretores de Cannes e deixou os críticos norte-americanos impressionados.
Confira abaixo a sinopse oficial.
Ao mesmo tempo poético e intenso, as devastações do colonialismo lançaram uma sombra escura sob a paisagem sul-americana em O Abraço da Serpente, a terceira produção de Ciro Guerra. Filmado em deslumbrantes locais na Amazônia, o Abraço da Serpente centra-se em Karamakate, um xamã amazônico, e o último sobrevivente de seu povo, além dos dois cientistas que, ao longo de 40 anos, constroem uma amizade com ele. O filme foi inspirado nos diários reais dos exploradores (Theodor Koch-Grünberg e Richard Evans Schultes) que viajaram através da Amazônia durante o século passado em busca da planta sagrada e difícil de achar Yakruna.
O filme está previsto para estrear em fevereiro deste ano.
Fonte: A Gambiarra

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

JUSTINE

Justine, lançada em 1979, é o encontro entre Guido Crepax e o Marquês de Sade. A personagem foi criada por Sade nos século 18, protagonizando três contos, dos quais Crepax trouxe para os quadrinhos o conto de 1787. Justine e sua irmã Juliette ficam órfãs na adolescência e têm que trabalhar para sobriviver. Enqunato Juliette entrega-se à prostituição e a uma trilha de assinatos, Justine procura seguir um caminho correto e honesto. Porém, tudo o que alcança são péssimos empregos, prisão e abusos sexuais. 
Como todas as criações de Crepax, Justine é dotada de forte erotismo e beleza. Através de seu traço único, consegue retratar vivamente todo o erotismo do Marques de Sade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

CEMITÉRIO DOS VIVOS - UM LIVRO PARA LER E REFLETIR



Afonso Henrique de Lima Barreto


Durante sua vida como escritor, Lima Barreto influenciou o início do modernismo com sua fala mais coloquial e que privilegiava personagens boêmios e revolucionários. Ele morreu após diversas internações em hospitais psiquiátricos por causa de sua constante depressão e alcoolismo,  Lima Barreto faleceu no primeiro dia do mês de novembro de 1922, vítima de ataque cardíaco, em razão do alcoolismo.  Não se casou e não teve filhos. 

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881 melhor conhecido como Lima Barreto, foi um jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileirosEnfrentou o preconceito por ser mestiço durante a vida. Ficou órfão aos sete anos de idade de mãe e, algum tempo depois, seu pai foi trabalhar como almoxarife em um asilo de loucos chamado Colônia de Alienados da Ilha do Governador. 
Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.
De Lima Barreto tinha lido apenas o Triste fim de Policarpo Quaresma e mesmo assim de maneira bem apessada. Encantou-me o" O Cemitério dos Vivos" editado pela Planeta. O livro é composto por duas partes. A primeira é composta pela Diário do Hospício e a segunda pelo Cemitério dos vivos. 
Nada sabia sobre a vida de Lima Barreto. E eis que me caiu na mão justamente um livro (um presente do amigo Sávio) de memórias. Nesse livro pequeno mais intenso mergulhamos um pouco na atmosfera de um grande escritor brasileiro do início do século XX. Um autor que mergulhou nas agruras cotidianas do povo. Cemitério dos vivos aflora  memórias íntimas, jocosas, dolorosas que se passam dentro de um  purgatório de paredes inexpugnáveis, o Hospital de Alienados. Onde foi interno por alguns momentos de sua vida. Fato que me fugia totalmente. 
A vida de Lima Barreto foi atravessada por dificuldades e tragédias. A mãe morta ainda na sua infância, o pai tendo que trabalhar em manicômios, uma vida cheia de percalços até a fase adulta. Um emprego público e alguns "bicos em jornais"
Sem sombra de dúvidas uma boa leitura. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O SINDICATO DO GARRANCHO

o sindicato do garrancho

O livro da professora Brasília Ferreira – O sindicato do Garrancho – editado pela Fundação Vingt-An Rosado, coleção Mossoroense edição de Janeiro de 2000 é sem sombra de dúvidas o mais representativo sobre o fenômeno da organização sindical sob a influência do PCB no início da década de 1920-30 na região salineira do Rio Grande do Norte. O ano de 2015 foi o aniversário de 80 anos dos levantes comunistas de 1935. Sob a influência do Partido Comunista do Brasil criado no início da década de 1920, mas precisamente, no dia 22 de março de 1922 no Rio de janeiro; são criados vários sindicatos a partir de 1928 na região Oeste do Estado do RN. O livro traça a partir de uma pesquisa bem elaborada os passos da fundação do PCB na cidade de Mossoró no RN e  também  na região salineira do mesmo Estado. A autora constrói magnificamente todo um contexto histórico de lutas políticas e sociais travadas ao longo da década de 1920 até meados de 1936, quando as forças repressivas dão cabo de um movimento criado por simples trabalhadores. Fruto de uma pesquisa bem elaborada a professora Brasília reconstrói a memória de um movimento praticamente esquecido pela historiografia regional e nacional. A criação  de sindicatos independentes da estrutura governamental que arregimentava grande número operários das salinas foi motivo de  muitos embates classistas naquela região do RN. Sob a influência dos comunistas vários sindicatos foram criados e um inédito movimento social começou a tomar conta daquele ambiente até então dominado pelo submissão. O livro resgata e relata a incrível audiência que os líderes comunistas, em sua enorme maioria, tinham em relação ao povo, principalmente os operários das regiões salineiras. Nestas ditas salinas chegava-se a trabalhar em  determinados períodos do ano cerca de 5.000 operários. O mais interessante do livro foi a tentativa de mostrar quão importante, do ponto de vista pedagógico, a luta política e social travada por simples operários salineiros na busca pela emancipação humana. Dali, daquele sertão tórrido, do qual Graciliano Ramos construiu seus principais personagens obtusos, mas subjugados e humilhados pela sombra de tenazes coronéis; surgiriam personagens reais, históricos que aos poucos foram saindo das linhas  do “sindicato do garrancho” e ganhando uma dimensão heroica. São todos homens e mulheres do povo que se vêem obrigados a tomar partido naquela cruenta luta de classes. São exemplos de homens e mulheres anônimos, rudes e bravos alçados pela pesquisa histórica da professora Brasília.  No contexto da Era Vargas e nas disputas renhidas das oligarquias regionais,  a organização proletária toma dimensões nunca antes presenciadas no Estado do Rio Grande do  Norte. O  desfecho da tragédia de 35 hoje já bastante conhecida possibilitou o aprofundamento de algo que estava ainda nos subterrâneos da história. A saga do Sindicato do Garrancho deve ecoar ainda por várias gerações, pois os cadáveres insepultos da ideologia dominante ainda nos reservam os muros invisíveis do medo e da submissão. São heróis salineiros do povo brasileiro  Manoel Torquato, um Chico Guilherme, um Joel Paulista,  um Alemão e tantos outros. Estes têm a mesma estatura e importância política dos nossos heróis nacionais.