quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O SINDICATO DO GARRANCHO

o sindicato do garrancho

O livro da professora Brasília Ferreira – O sindicato do Garrancho – editado pela Fundação Vingt-An Rosado, coleção Mossoroense edição de Janeiro de 2000 é sem sombra de dúvidas o mais representativo sobre o fenômeno da organização sindical sob a influência do PCB no início da década de 1920-30 na região salineira do Rio Grande do Norte. O ano de 2015 foi o aniversário de 80 anos dos levantes comunistas de 1935. Sob a influência do Partido Comunista do Brasil criado no início da década de 1920, mas precisamente, no dia 22 de março de 1922 no Rio de janeiro; são criados vários sindicatos a partir de 1928 na região Oeste do Estado do RN. O livro traça a partir de uma pesquisa bem elaborada os passos da fundação do PCB na cidade de Mossoró no RN e  também  na região salineira do mesmo Estado. A autora constrói magnificamente todo um contexto histórico de lutas políticas e sociais travadas ao longo da década de 1920 até meados de 1936, quando as forças repressivas dão cabo de um movimento criado por simples trabalhadores. Fruto de uma pesquisa bem elaborada a professora Brasília reconstrói a memória de um movimento praticamente esquecido pela historiografia regional e nacional. A criação  de sindicatos independentes da estrutura governamental que arregimentava grande número operários das salinas foi motivo de  muitos embates classistas naquela região do RN. Sob a influência dos comunistas vários sindicatos foram criados e um inédito movimento social começou a tomar conta daquele ambiente até então dominado pelo submissão. O livro resgata e relata a incrível audiência que os líderes comunistas, em sua enorme maioria, tinham em relação ao povo, principalmente os operários das regiões salineiras. Nestas ditas salinas chegava-se a trabalhar em  determinados períodos do ano cerca de 5.000 operários. O mais interessante do livro foi a tentativa de mostrar quão importante, do ponto de vista pedagógico, a luta política e social travada por simples operários salineiros na busca pela emancipação humana. Dali, daquele sertão tórrido, do qual Graciliano Ramos construiu seus principais personagens obtusos, mas subjugados e humilhados pela sombra de tenazes coronéis; surgiriam personagens reais, históricos que aos poucos foram saindo das linhas  do “sindicato do garrancho” e ganhando uma dimensão heroica. São todos homens e mulheres do povo que se vêem obrigados a tomar partido naquela cruenta luta de classes. São exemplos de homens e mulheres anônimos, rudes e bravos alçados pela pesquisa histórica da professora Brasília.  No contexto da Era Vargas e nas disputas renhidas das oligarquias regionais,  a organização proletária toma dimensões nunca antes presenciadas no Estado do Rio Grande do  Norte. O  desfecho da tragédia de 35 hoje já bastante conhecida possibilitou o aprofundamento de algo que estava ainda nos subterrâneos da história. A saga do Sindicato do Garrancho deve ecoar ainda por várias gerações, pois os cadáveres insepultos da ideologia dominante ainda nos reservam os muros invisíveis do medo e da submissão. São heróis salineiros do povo brasileiro  Manoel Torquato, um Chico Guilherme, um Joel Paulista,  um Alemão e tantos outros. Estes têm a mesma estatura e importância política dos nossos heróis nacionais.

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